O bullying é um comportamento agressivo, constante e sem motivação de um aluno para com o outro, geralmente com atitudes mascaradas em forma de brincadeira, acarretando inúmeros problemas. Além de possíveis agressões físicas, as vítimas de bullying podem vir a sofrer sequelas psicológicas e emocionais. É possível, além disso, observar quedas no rendimento de aprendizagem e, dificuldade de convivência em sala de aula. Para as vítimas, o ambiente escolar deixa de ser um local de estudos e passa a ser um espaço desconfortável e ameaçador, gerando naturalmente o desinteresse do aluno pela escola.

Os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2019 revelaram que o ambiente escolar brasileiro é mais apto a bullying que a média global. A média da OCDE é de 23% enquanto 29% dos brasileiros já relataram ter sofrido bullying.

Para reverter esse problema são necessárias formas de combater o bullying escolar. No dia 15 de maio de 2018 foi sancionada a Lei nº9.394, que garante medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying. A partir desta lei as próprias escolas passaram a desenvolver medidas de combate à violência no ambiente escolar e passaram a realizar uma fiscalização mais cautelosa quanto ao assunto.

Um país que é um ótimo exemplo a ser seguido em muitos sentidos é a Finlândia, considerada há muitos anos líder em educação. Desde 2009 muitas escolas vêm implantando o programa KiVa, um método antibullying desenvolvido na Universidade de Turku destinado a prevenir e combater a violência nas escolas finlandesas. Durante os dois primeiros anos de propagação, o KiVa conseguiu adesão de 75% das escolas da Finlândia e hoje conta com 90% de participação do país. De acordo com os dados divulgados pelo canal A&E, o método conseguiu eliminar o assédio em quase 80% das escolas em que foi implantado e nas outras a redução foi significativa.

A Base2edu esteve recentemente na Universidade de Turku e conversou com a equipe responsável pelo KiVa para conhecer os detalhes do programa e pode constatar in loco a eficácia do programa. Segundo a equipe, quando identificada uma situação de assédio, além do trabalho com as vítimas e agressores também é importante incorporar a participação das testemunhas, pois apesar de não serem os protagonistas da situação, os risos e o silêncio podem reforçar o poder do agressor. Devido ao sucesso, o programa vem sendo exportado para outros países, mas geralmente sofrendo adaptações e modificações em alguns aspectos que as nações entendam como necessário. Alguns, por exemplo, incluem a participação familiar durante a sua execução.

O cofundador da Base2edu, Alexandre Merofa,  com a equipe responsável pelo Kiva, na Universidade de Turku

Além do KiVa, outras medidas antibullying já estão sendo aplicadas às realidades das escolas brasileiras. Janine Rodrigues, educadora e escritora de literatura infanto-juvenil e fundadora da Piraporiando – Editora Edtech focada em educação para a diversidade – comenta como a empresa vem contribuindo no combate ao bullying: “A Piraporiando trabalha, principalmente, uma educação para a diversidade, focando em educação antibullying, antirracista e sem preconceitos. Um dos nossos projetos educativos, realizados principalmente em escolas, é a Trilha Literária, baseada nos livros da Piraporiando e que apresentam uma série de atividades que incentivam uma reflexão sobre estes assuntos.” Ela acrescenta que o bullying precisa ser abordado desde a primeira infância: “A abordagem pode ocorrer de diversas maneiras e, dependendo da idade da criança, podemos destacar práticas antibullying, como por exemplo, a valorização da diversidade, o respeito, a responsabilidade afetiva, a convivência harmoniosa… Também é responsabilidade do educador (professor/professora/familiares) não banalizar comportamentos tóxicos. Uma criança de 6 anos que se comporta de maneira que pode ferir e magoar seus colegas, continuará fazendo isso com 12, 16 anos, caso não receba uma educação adequada.

 

A escritora e criadora da editora Piraporiando, Janine Rodrigues

Outra forma de trabalhar o bom comportamento em sala de aula é investindo no equilíbrio emocional dos estudantes. A professora de mindfulness e idealizadora da Mindkids, Daniela Degani, comenta a relação entre meditação e antibullying: “Resultados de pesquisa do neurocientista Richard Davidson mostraram que quando estimulamos a ternura e a compaixão em crianças e adolescentes, é melhorado os resultados acadêmicos, além do bem-estar emocional e saúde. Quando o clima da sala de aula tem afeto, respeito e as crianças são enxergadas, elas se sentem seguras e isso propicia o aprendizado. Já quando a criança se sente ameaçada e não tem o senso de pertencimento, é afetada a habilidade de aprender. Pesquisam comprovam que a prática de mindfulness ajuda a cultivar algumas habilidades para a vida, atenção, equilíbrio emocional, empatia e compaixão. Um estudo feito na Califórnia com um total de 50 professores observando 200 alunos praticantes de mindfulness, detectou mais compaixão nas atitudes dos estudantes e maior participação na sala de aula.” Alguns dos workshops promovidos por Daniela é dedicado a professores, com a intenção de expandir as práticas para os seus alunos no dia a dia.

Workshop Meditação para Sala de Aula, realizado com professores

O bullying não é invencível. Ele pode ser combatido com medidas de intervenção e principalmente prevenção. É importante que os docentes tenham uma formação e capacitação para lidar com os problemas socioemocionais dentro do ambiente escolar. É considerável se inspirar nos métodos que estão contribuindo com resultados positivos na educação pelo mundo e, acima de tudo, compreender as necessidades especificas de cada local para criar as próprias soluções.

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