Se não organizássemos a informação que captamos quando conhecemos alguém ou vemos as pessoas que nos rodeiam, iríamos ficar desorientados. Para que isso não aconteça, temos a tendência de colocar os outros rapidamente em diferentes gavetas, consonante a informação que recolhemos. Ou seja, usamos categorias, tal como fazemos nas primeiras impressões que temos sobre os outros. As categorias ajudam-nos a organizar o meio e as pessoas à nossa volta. Quando essas categorias são usadas por um grupo e os elementos desse grupo partilham essas convicções, então estamos perante a estereótipos.

Estereótipos são conjuntos de crenças e opiniões que adquirimos durante o nosso processo de socialização e que simplificam a nossa realidade, mas que distorcem e generalizam características, atributos e comportamentos de certos grupos, pessoas, ou até mesmo objetos. Essas características podem ser negativas, neutras, mas também positivas. O grande problema dos estereótipos é que eles limitam as nossas expectativas que temos relativamente aos outros, fazendo-nos ignorar as particularidades de cada pessoa. Fugir dos estereótipos é realmente difícil, contudo, o mais importante é tentarmos evitar que os nossos estereótipos moldem completamente os nossos comportamentos e também se transformem em preconceitos.

E pensando nisso que a professora Maria Gabriela Pires de Souza idealizou o projeto “Desconstruir estereótipos” que questionou visões distorcidas de gênero, raça, classe, culturas e etnias, mostrando que a luta contra o preconceito nasce na sala de aula. As práticas pedagógicas desenvolvidas no projeto promoveram respeito, igualdade e inclusão aos alunos da EMEF Saint Hilaire, em Porto Alegre (RS).

Para conhecer o projeto da professora Maria Gabriela Pires de Souza na íntegra acesse aqui 
A ideia do projeto foi motivada pela leitura de diversos livros e gêneros textuais sobre o tema para os alunos debaterem e refletirem acerca do preconceito. Como uma das leituras, cita-se a reportagem apresentada aos alunos sobre a ausência de times femininos em clubes de futebol brasileiros e a falta de investimentos no futebol para as mulheres. A matéria evidenciou a desigualdade de gênero nos esportes, o que deixou muitas alunas indignadas que debateram sobre como o preconceito de gênero pode atingir as mulheres. A partir de então, a turma toda começou a refletir sobre outros tipos de estereótipos e preconceitos que acometem meninos e meninas em suas vidas cotidianas, familiares e escolares.

Por meio da iniciativa, as crianças aprenderam sobre os tipos de estereótipos (de gênero, físico, religioso, racial e socioeconômico) e a necessidade de desconstruí-los, pois são preconceitos que prejudicam as relações sociais. A cada mês, foram pensadas e planejadas ações que tivessem repercussão dentro e fora da comunidade escolar, entre elas a campanha “Extermina os estereótipos do teu vocabulário” que propôs a exclusão do vocabulário de frases estereotipadas sobre as mulheres e desconstrução de estereótipos de gênero, “O tempo passou, o índio mudou e o índio continua índio”, propondo o desmantelamento das ideias preconceituosas em relação às comunidades indígenas e o concurso “Por que o filme Pantera Negra desconstrói estereótipos”.

As atividades propostas pelo projeto, como rodas de conversa, debates, projetos de pesquisa e entrevistas permitiram que os alunos mergulhassem no tema, modificassem seus comportamentos e enxergassem a importância de desconstruir algumas crenças, focados no pensamento crítico, na reflexão e na comunicação. Portanto, erradicar os clichês e seus comportamentos associados deve ser prioritário para qualquer sociedade, onde o fim dos estereótipos deve começar na sala de aula.

Esta incrível iniciativa está disponível no Banco de Práticas do Instituto Significare e foi selecionada entre os 350 projetos mais Transformadores do Brasil pelo Prêmio Professor Transformador. Inspire-se nessa iniciativa pedagógica e inscreva o seu projeto na 2ª edição do Prêmio! Participe em https://significare.org.br/premio/
* Por medida de segurança de dados, para acessar os projetos do Banco de Práticas é necessário efetuar cadastro. O processo é rápido e a medida preserva as informações dos autores dos projetos.

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